20 de nov de 2010

Especial Corona

Hora de falarmos dum dos maiores sucessos da Dance Music de todos os tempos: Corona
Em primeiro lugar, quero afirmar uma coisa com todas as letras:
Corona NÃO é a brasileira Olga como muitos, muitos mesmo acreditam desde 1993.
Caaaaaaaaalma lá, antes de apedrejarem esse humilde amante da Dance Music anos 90, explicarei!
Leia todas as linhas abaixo e fique por dentro.
Conheça aqui a história do projeto Corona, com a colaboração do meu amigo F-KASS, da antiga comunidade Dance Music Anos 90 do Orkut.

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O que é o Corona
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Corona é um projeto criado em 1993 pelo DJ e produtor italiano Francesco Bontempi (Lee Marrow), quem compôs e fez os arranjos das músicas deste projeto e que tinha a brasileira Olga de Souza apenas como modelo que aparecia na capa dos discos, e nos shows e clipes. Ou seja, não é necessariamente o nome de uma cantora.


O italiano Lee Marrow, mais conhecido como deus do Italo House, é o responsável pelo projeto Corona

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A brasileira Olga de Souza
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Olga Maria de Souza nasceu no Rio de Janeiro em 16 de Julho de 1968. Olga não era do meio artístico, ela trabalhava numa agência da Caixa Econômica Federal no Rio de Janeiro. Entre 1991 a 1994 ela também trabalhou como instrutora de lambada.
Ela decidiu ir para a Itália, quando conversou com seu amigo Pelé que, impressionado com sua desenvoltura na dança e também com sua voz, a convenceu a explorar seus dotes artísticos na Itália. Ela passou também pela Espanha morando um tempo em Madrid onde teve uma proposta para gravar uma versão em espanhol para a música Lambada.
Quando chegou à Itália, Olga fez algumas apresentações e os produtores do projeto Corona viram em Olga a modelo perfeita. Ela foi apresentada para Francesco Bontempi (Lee Marrow). Essa foi a oportunidade para ela ingressar na carreira musical na Itália.


A mulata brasileira Olga de Souza representou bem o Brasil na Eurodance, mas não era necessariamente a "cantora Corona"

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A italiana Giovanna Bersola
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Em 1993 na Itália a música "The rhythm of the night” já havia sido gravada por Giovanna Bersola (gravem esse nome). O single lançado em 5 de Novembro de 1993, já tocava nas rádios e era sucesso em todas as casas noturnas. Esse single foi lançado na Itália pela gravadora DWA (Dance World Attack) e tinha apenas na capa a imagem de prédios. Note: essa é uma característica de singles que não tem vocalista oficial para se apresentar ao vivo, eles dificilmente revelam fotos. Alguns têm até modelos desconhecidas que de vocal não sabem quase nada. É lógico que Olga de Souza não estava na capa em 1993, e provavelmente também não estava na Itália em 93, pois se tivesse lá, ela já sairia de cara na capa do primeiro single. No caso, a real vocalista, a italiana Giovanna Bersola, não aceitou sair na capa, pois ela não tinha o “pique” para dançar no palco. Giovanna Bersola já havia gravado em outros projetos de Francesco Bontempi AKA Lee Marrow e também, em 1992, Giovanna também trabalhou para Alfredo Larry Pignagnoli e Davide Riva, produtores de J.K. e Lalene, onde Giovanna fez vocais de:

J.K. - You Make Me Feel Good (1992)
J.K. - Beat It (1993)
J.K. - You And I (1994)
Lalene - Together (1992)


Também conhecida como Jenny B, Giovanna podia não ter pique para shows, porém seu vozerão a eternizou

Em parceria com o produtor Giorgio Spagna AKA Theo Spagna, Giovanna Bersola gravou o single “Lady Don't Cry” (Red Velvet) em 1993 (música que dispensa comentários e usa a base de The rhythm of the night).
Já em 1994, Giovanna Bersola trabalhou com a produtora Emanuele Asti que produziu “The summer is magic” e “One, Two, Three (Train With Me)” já em 1995 ambas no projeto Playahitty.
E com o produtor Giordano Trivellato em 1994, Giovanna gravou o single “Take me to heaven” com o Nevada.

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A inglesa Sandra Chambers
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Voltando ao Corona, em 1995 já com Olga contratada para ser a modelo oficial do projeto: nesse meio tempo Francesco Bontempi já havia produzido outros singles com a vocalista Sandra ”Sandy” Chambers, ex- vocalista de projetos como Babyroots (Rock me baby, 1992), Netzwerk (Send me an angel, 1992 e Breakdown, 1993) entre outros projetos. Os singles produzidos foram “Baby baby”, “I don’t wanna be a star” e “Try me out”. Giovanna Bersola havia saído do Corona para trabalhar em outra gravadora e já fazia os vocais do projeto Playahitty. Francesco Bontempi não viu outra saída a não ser contratar definitivamente Sandra Chambers para fazer os vocais para o Corona. E nomeou o single "Baby baby", já gravado com a bela voz de Sandra Chambers com a marca CORONA. Ele usou pela primeira vez a imagem de Olga de Souza na capa. Depois também com Sandra Chambers, produziu outros dois singles: “I don't wanna be a star” e “Try me out”, e no mesmo ano lançou o álbum.


Existem 200% de chances de você já ter se apaixonado por algum single com o vocal da Sandra Chambers

Francesco Bontempi contratou Sandra Chambers porque não tinha como levar pra frente o projeto Corona com a real voz de Olga, pois na época Olga cantava ainda com um sotaque brasileiro e não saberia interpretar com sua voz ao vivo as músicas “The rhythm of the night”, “Baby baby”, “I don't wanna be a star” e “Try me out”.
Sandy também teve o sucesso solo “Bad boy” em 1995.
Não podemos esquecer tambem que a Chambers fez um 'rap' em "Gonna be my baby" e backing vocal em "Dancing with an angel", ambas músicas do Double You. E também "Wanna be with u" do Jinny tem o vocal da competente Sandy. Entre muitos outros projetos como Antares e Alladino e até no J.K., assim como Giovanna Bersola...
Mas com o sucesso do Corona num pequeno espaço de tempo e pela turnê mundial, a fama e popularidade de Olga cresceram. Ela foi adorada no mundo todo por sua beleza, charme e simpatia.
Sandra Chambers fez os vocais do restante das músicas dos álbuns do Corona (não esqueçamos de “I gotta keep dancing”, "Do you want me?", entre outras) e ficou até 1998 quando ela teve um bebê e não tinha mais tempo disponível para gravar por um bom tempo.
Olga, a partir do terceiro álbum do Corona (And Me U, 2001), utilizou sua real voz possivelmente em algumas partes do álbum, apesar de alguns acharem que ela fez mais uma dublagem. Em 2006, ela está creditada como tendo feito o vocal de “Back in time” e “I'll be your lady” e em 2007 pode-se também perceber ela cantando um refrão na música “La playa del sol” e, mais recentemente, em abril de 2010, ela gravou o single “Girando”, onde canta em português e inglês e nota-se realmente o tal do sotaque brasileiro.
Olga atualmente canta em seus shows algumas músicas do Corona, usando realmente sua voz e até canta bem, mas tem sempre um DJ preparado pra aumentar o playback e soltar a voz real gravada nos CDs. E quando Olga canta ao vivo, sempre quando não acompanha o timbre do vocal de Sandra ou Giovanna, ela deixa o público cantar pra dar uma forcinha.
Espero que esteja tudo claro agora e ninguém mais fique em dúvida quanto à nossa querida Olga e o projeto Corona.

Antes de sair, eu recomendo que confiram meu set mixado especial Corona clicando aqui.
Recomendo também este artigo da amiga Aninha no blog dela, falando sobre as polêmicas da Eurodance 90.
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